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Bitcoin acumula queda de 30% em 2026: o que está por trás da correção e o que os dados indicam para os próximos meses

Por Elena Salvieri 16 de junho de 2026 8 Min de leitura
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Bitcoin acumula queda de 30% em 2026: o que está por trás da correção e o que os dados indicam para os próximos meses
Bitcoin acumula queda de 30% em 2026: o que está por trás da correção e o que os dados indicam para os próximos meses

Saídas recordes de ETFs, pressão macroeconômica e liquidações em derivativos explicam o recuo da maior criptomoeda do mundo neste ano

O Bitcoin chegou a junho de 2026 carregando um peso considerável: uma queda acumulada que supera os 30% desde o início do ano, com o ativo sendo negociado na faixa de US$ 61 mil após ter tocado recordes históricos no segundo semestre de 2025. Para quem acompanhou a trajetória da criptomoeda nos últimos ciclos, o movimento traz dúvidas legítimas: isso é apenas uma correção dentro do ciclo ou existe uma mudança estrutural acontecendo? Os dados disponíveis mostram um cenário complexo, moldado por variáveis macroeconômicas, movimentos institucionais e comportamento de investidores de longo prazo que ainda não realizaram prejuízo em massa. Entender cada um desses fatores é o passo mais importante antes de tirar qualquer conclusão precipitada sobre o futuro do ativo.

Por que o Bitcoin caiu tanto em 2026?

A resposta não está em um único evento, mas em uma combinação de fatores que se sobrepuseram ao longo dos meses. O ponto de partida mais relevante é o ambiente macroeconômico. Segundo dados do InfoMoney, a manutenção dos juros americanos no intervalo entre 3,50% e 3,75% pelo Federal Reserve, sem nenhuma sinalização clara de cortes em 2026, tornou o cenário menos atrativo para ativos de risco como o Bitcoin. Quando os juros permanecem altos, o capital institucional tende a migrar para alternativas de renda fixa, reduzindo a liquidez que alimenta mercados como o de criptomoedas.

A isso se somou uma sequência histórica de saídas dos ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos. Segundo análise publicada pelo Investidor10, os fundos de índice registraram US$ 3,4 bilhões em retiradas líquidas nas últimas semanas, representando onze dias consecutivos de baixa na cotação. Esse número chama atenção porque os ETFs foram um dos principais propulsores da alta de 2024 e 2025: quando o dinheiro sai por essa porta, a pressão vendedora sobre o ativo é direta e mensurável.

Outro fator relevante foi o comportamento de algumas empresas que compõem o grupo conhecido como Bitcoin Treasuries, ou seja, corporações que mantinham Bitcoin em seus balanços como reserva de valor. A Strategy, maior detentora pública de Bitcoin no mundo, informou ao mercado que vendeu 32 unidades do ativo, gerando US$ 2,5 milhões em caixa. Embora o volume seja pequeno em termos absolutos, o sinal enviado ao mercado pesou psicologicamente sobre investidores que enxergavam esse grupo como comprador estrutural permanente.

Por fim, o mercado de derivativos amplificou o movimento. De acordo com análise da Vaul Capital citada pelo InfoMoney, as perdas realizadas no mercado cripto agregado chegaram a US$ 1,3 bilhão por dia quando o Bitcoin operava próximo de US$ 62 mil, com detentores de longo prazo respondendo por cerca de 59% do total de vendas. Esse dado sugere que parte dos investidores que compraram próximo ao topo do ciclo e seguraram a posição durante a queda optou por realizar o prejuízo.

O que os dados on-chain revelam sobre o momento atual

Os dados da blockchain oferecem uma leitura diferente da que os preços isoladamente sugerem. Segundo levantamento da Glassnode divulgado pelo BPMoney, cerca de 8 milhões de bitcoins estão atualmente no prejuízo, o que significa que seus donos compraram o ativo a preços mais altos do que o valor atual de mercado. Ainda assim, apenas metade do fornecimento circulante está com perdas, o que, historicamente, é consistente com fases de consolidação de meio de ciclo e não necessariamente com fundos de mercado definitivos.

O Ethereum e outras altcoins sofreram ainda mais. O ETH acumula queda de 46% no ano, enquanto o XRP recuou 41%, e algumas moedas menores chegaram a perder até 80% das máximas registradas no ciclo anterior. O índice CoinDesk 20, que reúne as 20 maiores criptomoedas, recuava 34% desde janeiro, segundo dados divulgados pelo Investidor10. Esse comportamento mais acentuado das altcoins em relação ao Bitcoin é, historicamente, um dos padrões observados nas fases de maior aversão ao risco dentro do mercado cripto.

A análise técnica também aponta para um momento de indefinição. Indicadores como o RSI e o MACD, monitorados por diversas casas de análise, estão operando em zonas que indicam momentum negativo, mas ainda sem confirmar uma ruptura estrutural de tendência de longo prazo. O patamar de US$ 60 mil tem sido acompanhado de perto como suporte relevante: caso não seja mantido, projeções citadas pelo portal Vietnam.vn indicam que o ativo poderia testar a região de US$ 53 mil antes de buscar estabilização.

O que esperar nos próximos meses?

A incerteza é o elemento mais presente nas análises disponíveis para o segundo semestre de 2026. Parte do mercado segue apostando em recuperação: algumas projeções indicam que o Bitcoin poderia atingir US$ 150 mil até o fim do ano caso retome a trajetória de alta. Outras análises, mais conservadoras, trabalham com faixas entre US$ 68 mil e US$ 84 mil para o período, com volatilidade alta ao longo do caminho.

O cenário político nos Estados Unidos também entra como variável. Segundo Alexandre Stormer, trader e sócio-fundador do escritório Liberta credenciado à XP, entrevistado pelo InfoMoney, as eleições de meio de mandato americanas podem gerar volatilidade adicional no mercado cripto, especialmente se o cenário político se tornar menos favorável às pautas alinhadas à indústria de ativos digitais. Além disso, a proliferação de produtos financeiros atrelados ao Bitcoin, como contratos futuros, ETFs e opções, pode diluir, na percepção dos investidores, a tese de escassez do ativo ao longo do tempo.

O que os dados indicam com mais clareza é que o mercado cripto atravessa um processo de limpeza de alavancagem, e não necessariamente uma ruptura definitiva de tese. Investidores de longo prazo ajustam posições de forma estratégica, enquanto os de curto prazo realizam perdas. Em momentos como esse, a informação de qualidade e o entendimento do contexto macro valem mais do que qualquer previsão de preço. O mercado cripto sempre foi marcado por ciclos intensos, e compreender em qual fase do ciclo se está é tão importante quanto qualquer outro fator de análise. O risco de novas quedas permanece real, e toda exposição a criptoativos deve ser avaliada com critério e dentro da tolerância individual de cada investidor.

Investidor10 | InfoMoney | BPMoney | Melhor Investimento

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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