A blockchain Sui anunciou a criação da Hashi, uma infraestrutura voltada ao mercado institucional que pretende ampliar o uso do Bitcoin em operações de crédito. A proposta permitirá que empresas e instituições utilizem seus bitcoins como garantia para empréstimos sem transferir os ativos para outra rede, mantendo o BTC bloqueado em um endereço de custódia no próprio protocolo original.
Segundo a CoinDesk, a Hashi deve estrear em etapas, com compromissos de capital de aproximadamente US$ 500 milhões reunidos por uma coalizão formada por mais de 20 parceiros do setor. O valor anunciado representa compromissos para a iniciativa, e não necessariamente recursos já utilizados em operações de empréstimo.
Como funcionará o uso do Bitcoin como garantia
O modelo foi desenhado para separar a custódia do Bitcoin da execução da operação de crédito. Quando o usuário bloquear seus BTC no endereço previsto pela estrutura, receberá na rede Sui um ativo representativo chamado hBTC. Esse token poderá ser utilizado no ambiente da Sui para viabilizar empréstimos, liquidez e outras aplicações relacionadas às finanças descentralizadas.
A diferença central em relação a modelos que transferem ou representam o Bitcoin em outra blockchain está na permanência do ativo original na rede Bitcoin. O BTC não seria enviado para a Sui nem convertido diretamente em uma versão movimentada fora do protocolo de origem. A representação usada na operação seria o hBTC, enquanto a garantia permaneceria vinculada ao endereço de custódia estabelecido pela Hashi.
Quando o usuário decidir encerrar a operação, o hBTC será destruído na rede Sui. Esse processo acionará a liberação do Bitcoin que estava bloqueado no endereço de custódia. A arquitetura, portanto, depende da correspondência entre o ativo representativo emitido na Sui e os bitcoins mantidos na estrutura associada à rede original.
Por que a proposta mira instituições
O projeto busca atender empresas e instituições que mantêm grandes posições em Bitcoin, mas encontram limitações para utilizar esses ativos em operações de financiamento. Na prática, a Hashi tenta transformar o BTC mantido em custódia em uma garantia para acesso a crédito, sem exigir que o detentor abandone o ecossistema da blockchain Bitcoin.
Essa conexão pode ampliar as formas de utilização do ativo. Além da negociação e da manutenção de posições em BTC, instituições poderiam recorrer à estrutura para acessar liquidez ou participar de operações de empréstimo baseadas em uma garantia denominada em Bitcoin. A execução das aplicações ocorreria na Sui, enquanto a garantia permaneceria ligada ao protocolo original.
Para o mercado de finanças descentralizadas, a iniciativa também representa uma tentativa de aproximar a liquidez do Bitcoin de ferramentas que normalmente dependem de ativos tokenizados ou de versões sintéticas. A proposta anunciada pela Sui procura reduzir essa separação ao manter o bitcoin nativo bloqueado e emitir uma representação específica para uso em outra rede.
Custódia e riscos da nova infraestrutura
A estrutura envolve pontos que serão relevantes para a avaliação de sua segurança. Entre eles estão as regras de governança da Hashi, a proteção dos cofres que manterão os bitcoins bloqueados, os procedimentos de liquidação e o funcionamento do mecanismo responsável por liberar o BTC após a destruição do hBTC.
Também merece atenção a dependência de estruturas de assinatura múltipla, citadas na descrição da iniciativa. Esse tipo de configuração pode distribuir o controle sobre os ativos entre diferentes participantes, mas exige procedimentos claros para autorizar movimentações, responder a eventos operacionais e preservar a capacidade de resgate.
Outro elemento importante será a relação entre o hBTC emitido na Sui e o Bitcoin mantido em custódia. Para que o sistema funcione como planejado, a emissão, a destruição do ativo representativo e a liberação da garantia precisam permanecer coordenadas. A etapa de lançamento gradual deverá apresentar como esses processos serão organizados na prática.
A Hashi surge, assim, como uma tentativa de conectar o Bitcoin ao crédito institucional sem retirar o ativo da blockchain original. Com compromissos iniciais de capital próximos de US$ 500 milhões e a participação anunciada de mais de 20 parceiros, a iniciativa coloca a Sui no centro de uma proposta voltada à custódia, à liquidez e ao uso do BTC como garantia em operações financeiras digitais.