Movimento consolida bitcoin, ether e outros ativos digitais dentro do ecossistema bancário e acontece em meio ao novo marco regulatório do Banco Central para o setor
O BTG Pactual anunciou que vai unificar sua plataforma de criptoativos, a Mynt, dentro do aplicativo principal do banco. A mudança encerra o modelo atual, em que os clientes precisavam abrir um aplicativo separado para negociar bitcoin, ether e outras moedas digitais. A partir de agora, produtos bancários tradicionais, investimentos e serviços com criptomoedas vão ficar concentrados em um único ambiente digital. O banco informou que os clientes que já possuem conta ativa na Mynt poderão acessar o novo formato usando as mesmas credenciais já cadastradas.
Quem tiver mais de uma conta ativa dentro do ecossistema BTG receberá uma conta adicional para viabilizar essa migração. O mesmo procedimento vale para quem ainda não é cliente do banco, mas usa a Mynt exclusivamente para cripto. Já os usuários que não quiserem seguir com a mudança precisam solicitar o encerramento da conta até 16 de agosto de 2026, seja pelo próprio aplicativo ou pelos canais oficiais de atendimento. Clientes com algum tipo de bloqueio ativo podem enfrentar dificuldade para abrir a nova conta necessária para receber os serviços migrados, e o banco recomenda regularizar pendências antes do prazo.
Contexto regulatório acelera a integração
A movimentação do BTG não acontece isoladamente. Ela coincide com o período de adaptação das empresas brasileiras ao novo marco regulatório de criptoativos, definido pelo Banco Central por meio das Resoluções BCB 519, 520 e 521, publicadas em novembro de 2025. As regras principais entraram em vigor em fevereiro deste ano e mudaram a forma como o mercado cripto opera no país. A Resolução 519 trata dos procedimentos para autorização das empresas que oferecem serviços com ativos virtuais, enquanto a 520 disciplina a constituição e o funcionamento dessas instituições, com regras específicas para intermediação, custódia e corretagem.
A norma também criou três categorias distintas de prestadores de serviço: intermediárias, custodiantes e corretoras de ativos virtuais. Essa classificação exige que bancos e fintechs que atuam com cripto se enquadrem formalmente em um desses perfis, o que ajuda a explicar por que instituições como o BTG estão reorganizando suas plataformas agora. Unificar a experiência do cliente dentro de um único aplicativo também simplifica a supervisão regulatória, já que concentra a operação sob a mesma estrutura de compliance do banco.
O que muda na prática para o usuário
Para o cliente comum, a mudança deve significar menos atrito no dia a dia. Hoje, quem investe em bitcoin ou ether pela Mynt precisa alternar entre dois aplicativos diferentes para acompanhar investimentos tradicionais e criptoativos. Com a integração, essa fricção desaparece, e a expectativa do banco é que isso facilite tanto a adesão de novos investidores quanto a movimentação de quem já usa os dois serviços separadamente. A Mynt foi lançada pelo BTG em 2022 como uma plataforma dedicada exclusivamente ao mercado de criptoativos, com opções como Bitcoin, Ether, Solana, Polkadot e Cardano, e ao longo do tempo ampliou o catálogo para incluir outros ativos digitais.
O movimento do BTG também reflete uma tendência mais ampla entre bancos tradicionais brasileiros, que vêm buscando oferecer exposição a criptomoedas sem depender de exchanges independentes. Isso acontece à medida que o mercado cripto amadurece e passa a operar sob regras mais claras, o que reduz parte da incerteza jurídica que historicamente afastava instituições financeiras mais conservadoras desse tipo de produto. Analistas do setor têm observado que a entrada de grandes bancos na negociação direta de criptoativos tende a aumentar a liquidez e a confiança do investidor de varejo, embora a volatilidade típica desses ativos continue exigindo cautela.
Recomendação de cautela permanece
Vale lembrar que investimentos em criptoativos envolvem alta volatilidade e riscos significativos, independentemente da instituição que oferece o serviço. A integração ao aplicativo do BTG não altera a natureza especulativa desses ativos, e especialistas recomendam que qualquer decisão de investimento seja precedida de pesquisa e, se possível, orientação profissional. O cliente interessado em migrar ou encerrar a conta Mynt deve ficar atento ao prazo de 16 de agosto e verificar eventuais pendências cadastrais que possam impedir a abertura da nova conta dentro do ecossistema do banco.